Avaliação econômica de tecnologias em saúde

O desafio de administrar um hospital de forma sustentável e ao mesmo tempo resolutiva é a principal questão que se coloca atualmente para o gestor hospitalar.
tecnologias em saúde

O desafio de administrar um hospital de forma sustentável e ao mesmo tempo resolutiva é a principal questão que se coloca atualmente para o gestor hospitalar.

Independentemente de alterações no perfil epidemiológico das populações, como o que estamos vivenciando desde 2020 com o aparecimento da Covid-19, a otimização de recursos financeiros frente às tecnologias em saúde disponíveis é uma tarefa que se impõe cotidianamente.

De fato, nas últimas décadas, houve um grande desenvolvimento tecnológico na área da saúde e com isso, um aumento dos custos, pois novas tecnologias geralmente trazem um maior valor agregado. Além disso, na área de saúde, novas tecnologias geralmente não substituem outras, mas são acrescidas aos procedimentos já empregados.

Considerando-se apenas medicamentos, um importante insumo para a saúde, somente em 2019 houve um expressivo aumento de produtos novos comercializados (cerca de 44% em relação a 2018).

Tecnologias em saúde podem ser: medicamentos, materiais, equipamentos e procedimentos, sistemas organizacionais, educacionais, de informações e de suporte, e programas e protocolos assistenciais, por meio dos quais a atenção e os cuidados com a saúde são prestados à população (Portaria Nº 2.510/GM de 19 de dezembro de 2005).

No Brasil, existe uma política que define diretrizes e procedimentos para a incorporação de novas tecnologias no SUS, a Política Nacional de Gestão de Tecnologias em Saúde. Tal política pode contribuir também com o setor privado, ao fornecer elementos para a definição de estratégias em hospitais privados e até mesmo, critérios para a gestão de Planos e Seguros de Saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, a gestão de tecnologias em saúde é o conjunto de atividades gestoras relacionadas com os processos de avaliação, incorporação, difusão, gerenciamento da utilização e retirada de tecnologias do sistema de saúde.

No setor público, além das demandas de saúde da população, os gestores devem levar em consideração o orçamento público e as responsabilidades dos diferentes níveis de gestão (federal, estadual e municipal).

No setor privado, o orçamento disponível também é um fator limitante. O desafio é adotar e disponibilizar tecnologias que tragam resultados e sejam economicamente viáveis.

De forma geral, pode-se dizer que a incorporação de uma nova tecnologia em saúde deve ser baseada em critérios científicos e dados de custo-benefício-segurança.

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS COMO SUBSÍDIO PARA A GESTÃO HOSPITALAR

Nos últimos dois anos, por conta da pandemia de Covid-19, muito se discutiu sobre a utilização ou não de medicamentos sem eficácia comprovada. Qual é a real importância das evidências científicas? Somente a prática clínica pode definir a utilização de medicamentos ou a incorporação e disponibilização de tecnologias?

A busca de evidências para a tomada de decisões em saúde é um movimento que teve início na década de 90 com o objetivo de garantir que o cuidado ao paciente seja baseado na melhor e mais atualizada evidência científica, resultando no melhor desfecho possível. Para tanto, baseia-se principalmente nos resultados obtidos em estudos clínicos (Clinical Trials).

Além da segurança e eficácia da nova tecnologia, deve-se garantir também uma comparação entre a tecnologia em questão e as tecnologias já incorporadas no serviço ou no sistema de saúde, com o intuito de identificar os benefícios tanto clínicos quanto econômicos proporcionados pela nova tecnologia. Novas tecnologias podem, por exemplo, serem tão seguras ou eficazes quanto outras já existentes, mas diminuem os dias de internação hospitalar do paciente, o que resulta em uma economia tanto para a instituição quanto para o paciente e a sociedade como um todo.

 

TIPOS DE ANÁLISES ECONÔMICAS EM SAÚDE

De acordo com Canuto (2010), o conjunto de técnicas de análise, que avalia comparativamente duas ou mais tecnologias/programas/ações por meio da mensuração sistemática de custos e resultados de cada uma delas é denominado de Avaliação Econômica em Saúde. 

Há 4 tipos básicos de análise econômica em saúde: Custo-Benefício, Custo-Minimização, Custo-Efetividade e Custo-Utilidade.

A análise Custo-Efetividade, uma das mais utilizadas atualmente, baseia-se na avaliação dos custos envolvidos como as consequências (desfechos) de programas ou tratamentos de saúde. Em Epidemiologia, desfechos são eventos (variáveis) que são monitorados para avaliar o impacto de uma tecnologia em saúde. Um desfecho pode ser a cura, a melhora clínica ou até mesmo o número de anos de vida ganhos com determinado procedimento, tratamento ou intervenção.

A Análise Custo-Utilidade é considerada uma evolução da Análise Custo-Efetividade pois, agrega como uma variável a ser estudada, a qualidade de vida. Com o envelhecimento populacional, a qualidade de vida do indivíduo é uma conquista importante tanto do ponto de vista econômico quanto social.

CUSTO X QUALIDADE

Garantir a melhor tecnologia disponível ao menor custo possível é o grande desafio do Gestor Hospitalar. Como exposto, nem sempre a tecnologia mais nova e mais cara é aquela que apresenta o melhor custo-benefício.

Diferentes aspectos devem ser considerados na definição dos serviços e produtos ofertados, entre eles: segurança, eficácia, efetividade e eficiência.

Uma determinada tecnologia deve ser eficaz em situações reais, atender a legislação vigente e apresentar um custo que seja viável e acessível.

A habilidade de trabalhar com as questões ressaltadas nesse artigo deve ser desenvolvida ao longo de toda a formação profissional do Gestor Hospitalar.

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